| Antecedentes
históricos: os primeiros embriões
Do ponto de
vista legal, poderíamos dizer que o SINDSEP completou 20
anos em 01 de novembro de 2010. Mas, o SINDSEP começou
a nascer antes de 1988. Sua gestação se iniciou
no interior do movimento de servidores públicos que se
organizou para reivindicar a ampliação dos seus
direitos durante a mobilização que fez parte da
assembléia constituinte. Acompanhando a efervescência
da sociedade civil, que ressurgia com força contestando
a ditadura militar e inserindo-se no movimento que originou a
Central Única dos Trabalhadores - CUT, os servidores públicos
buscavam o direito de sindicalização e livre organização
sindical, o direito de greve, diretrizes de plano de carreiras
e isonomia salarial. A pergunta que inquietava os servidores era:
por que não podemos ter sindicatos e as outras categorias
profissionais podem? Assim, de um lado, os servidores buscavam
o direito de organizar-se e, de outro, buscavam garantir as condições
para exercer sua atividade profissional.
Durante a Constituinte, vários representantes de servidores
públicos federais começaram a reunir-se no Maranhão
e engendrar iniciativas para garantir a ampliação
dos direitos dos servidores públicos: fazendo reuniões,
visitando assembléia legislativa, viajando a Brasília.
Dessa articulação inicial, surgiu um embrião
para a futura criação de um Sindicato dos Servidores
Públicos Federais. Ainda que informalmente, uma espécie
de Coordenação das Associações de
Servidores Públicos Federais foi constituída, a
qual passou a reunir-se na sede da CUT, sendo acompanhada por
um dirigente da Central.
Em 1989, presidentes de várias associações
de servidores públicos (ASSEDERT, Fundação
Educar, Associação de Previdenciários, SUCAM,
Ministério da Fazenda) organizaram a I Semana dos Servidores
Públicos no Maranhão. Contando com a presença
do Secretário Nacional de Formação da CUT,
Jorge Lorenzetti e de representantes de várias associações;
neste Seminário foi formada a Comissão Pró-Sindicato.
Posteriormente, os trabalhadores do INSS e ex-INAMPS resolveram
criar seu sindicato específico, o SINTSPREV. Mas, as Associações
continuaram a articulação para a criação
do Sindicato Geral.
Em 1989, havia um fato marcante na história dos trabalhadores:
pela primeira vez, após a ditadura militar, estavam sendo
realizadas eleições diretas para Presidente da República.
Luís Inácio Lula da Silva, o Lula, estava disputando
as eleições e chegou ao segundo turno, junto com
a candidatura conservadora de Fernando Collor de Melo. A Comissão
Pró-Sindicato buscou contribuir nesse processo, realizando
as prévias eleitorais na categoria. Mais de 80% dos participantes
das prévias indicaram o seu voto em Lula. Esta atuação
mostrava que o movimento que daria origem ao SINDSEP entendia
a política como dimensão constitutiva e essencial
na luta sindical.
Nesse ano, os servidores do país inteiro discutiam a necessidade
de criação de uma entidade nacional de servidores
públicos. Foi realizado o I Congresso Nacional de Servidores
Públicos Federais, em Brasília, da qual participaram
os representantes do Maranhão, sendo deliberada a criação
de uma Intersindical de Servidores Públicos. Em 1990, deliberou-se
pela criação da CONDSEF.
Simultaneamente, prosseguia a articulação para a
criação do SINDSEP no Maranhão. Após
a criação do SINTSPREV, que organizava apenas trabalhadores
da saúde e previdência, iniciou-se o debate para
a incorporação dos servidores da SUCAM e FSESP (atual
FUNASA) naquele Sindicato. Como parte do processo deliberativo,
realizou-se um Seminário com os servidores daqueles órgãos,
envolvendo os representantes da Comissão Pró-Sindicato
e do SINTSPREV. Após o debate, os servidores da SUCAM e
FSESP optaram pela filiação ao Sindicato geral que
seria fundado até o final do ano.
Unificar,
organizar, lutar, conquistar: nasce o SINDSEP
A concepção que estava na base
da organização de um Sindicato Geral era a de que
os servidores públicos federais possuíam vínculo
empregatício com o mesmo patrão (a população,
mediada pelo governo federal), desempenham a mesma atividade profissional,
suas atividades eram voltadas ao público, sua política
salarial deveria ser uniforme bem como o plano de carreiras. Portanto,
deveríamos ter um Sindicato que agrupasse todos os servidores
públicos, no ramo administração pública
e não vários sindicatos. Além disso, com
as sucessivas reformas administrativas, os servidores são
constantemente remanejados dos seus órgãos e sua
organização sindical não deveria ficar à
mercê das mudanças governamentais. Essa concepção
foi sintetizada no slogan: Unificar, organizar, lutar, conquistar.
Difundindo essa concepção, a Comissão Pró-Sindicato
conseguiu reunir mais de 500 servidores em sua assembléia
de fundação, realizada em 01.11.1990. Nesta assembléia,
foi eleita a direção provisória para o mandato
de um ano.
Na assembléia de fundação do SINDSEP, houve
polarização em relação a duas propostas:
o nome do Sindicato e a filiação à CUT.
Em relação ao nome, a polêmica se deu em relação
à inclusão de trabalhadores no serviço público
ou manutenção do nome servidores públicos.
O argumento favorável à inclusão de trabalhadores,
se assentava na idéia de que os servidores públicos
eram trabalhadores como quaisquer outros e a conotação
negativa associada ao nome servidores, de servilidade. O argumento
contrário se assentava na denominação legal.
Venceu a proposta de manutenção do nome servidores.
Quanto à filiação à CUT, a polêmica
residia na necessidade ou não de filiar o Sindicato a uma
Central Sindical. A defesa de filiação se assentou
no acompanhamento feito pela CUT à Comissão Pró-Sindicato
e nas lutas desenvolvidas pela Central em benefício dos
trabalhadores. Venceu a proposta de filiação.
As
primeiras lutas, as primeiras conquistas
O SINDSEP nasceu em meio às intempestivas
iniciativas de Collor de Melo para a desmoralização
dos servidores e destruição dos serviços
públicos. Uma das táticas preferidas do ex-presidente
era colocar servidores públicos em disponibilidade, reduzindo
seus salários. Mas, a luta dos servidores obrigou Collor
a recuar.
O SINDSEP também lutou em conjunto com as entidades do
campo democrático-popular, reforçando as iniciativas
gerais dos trabalhadores.
Assim, através de mobilizações, greves e
também no campo jurídico, o SINDSEP foi afirmando
sua presença no cenário maranhense. Em 1991, quando
da realização do seu I Congresso e na data de seu
primeiro aniversário já contava com 4.450 filiados,
abrangendo servidores de 31 órgãos (Resoluções
I CONSEF, 1991).
Os
congressos, as resoluções e as pautas de reivindicação
O I CONSEF teve como slogan “Resistir, avançar
e consolidar a organização dos servidores”,
o II , o III , Serviço Público Democracia e cidadania
e o IV, Um mundo melhor se faz com luta e paixão. Como
fóruns máximos de deliberação da categoria,
estes Congressos também procuravam manter viva a mística
da luta e da necessidade de continuá-la.
A pauta de reivindicações manteve quase inalterada
nestes dez anos, diante da intransigência dos governantes
em nível federal no período: Fernando Collor e Fernando
Henrique Cardoso. Questões como negociação
coletiva, reposição de perdas salariais, retorno
de demitidos e anistiados, dentre outras, continuam presentes.
O balanço político-organizativo demonstrava que
o Sindicato enfrentava dificuldades para garantir seu funcionamento
e a participação dos servidores, mas também
as principais lutas e conquistas. Dentre estas, estão presentes
a organização da categoria, em nível estadual
e a inserção nacional, reforçando a CONDSEF
bem como a indicação de dirigentes para compor as
direções da CUT Estadual. O SINDSEP conseguiu estruturar
suas secretarias regionais, desenvolveu várias iniciativas
de formação política, garantiu o retorno
de demitidos e disponíveis, acompanhou o calendário
nacional de luta. Projetou-se como um dos sindicatos mais importantes
e combativos no Maranhão. Entretanto, as dificuldades presentes
na conjuntura eram imensuráveis e tiveram papel decisivo
na geração de uma visão de que os resultados
alcançados pela luta sindical estão aquém
do almejado pela categoria. Entretanto, os limites presentes na
atuação do SINDSEP são compartilhados pelo
movimento sindical de servidores públicos em geral.
A
retração dos direitos dos servidores e os desafios
para o SINDSEP
Desde o início do governo de Fernando Henrique
Cardoso, a reforma administrativa ganhou corpo e foi sendo implantada.
A reforma do Estado anunciada pelo governo tinha um alvo certo:
longe da eficiência para o serviço público,
seu objetivo era retirar os direitos conquistados pelos trabalhadores
do setor público.
Os anos 90 continuaram a assistir a definição da
administração pública como um grande problema
para o país, com ênfase na redução
do papel do Estado e um enfoque particular dirigido aos servidores
públicos: são os “marajás” do
serviço público os responsáveis por sua falência,
sendo atingidos por uma série de medidas, não assentadas
em critérios capazes de conduzir à uma moralização
e democratização da máquina administrativa.
As iniciativas em torno da reforma se restringiram à extinção/fusão
de órgãos e ataques aos direitos dos trabalhadores
do setor público, chocando-se com as inovações
inseridas na Constituição de 88.
A maioria dos direitos conquistados, entretanto, necessitava de
regulamentação, sendo alguns distintos daqueles
assegurados aos demais trabalhadores, conferindo um estatuto de
incompletude aos direitos trabalhistas no setor público.
Essa incompletude se manifesta: a) no papel dos sindicatos, aos
quais é negado o direito de negociação coletiva;
b) na falta de regulamentação do direito de greve;
c) na unilateralidade das relações trabalhistas,
as quais não são definidas em contrato coletivo
de trabalho .
A partir de 1995, tais direitos foram objeto da reforma administrativa,
sendo a maioria deles modificada ou suprimida. A reforma administrativa,
associada com o processo de privatizações desencadeado
no país, a extinção de órgãos
públicos, privatização de estatais e a transformação
da natureza jurídica de vários órgãos
públicos em organizações sociais , e articulada
com cortes no orçamento das áreas sociais e instituição
de planos de demissão voluntária dos servidores,
gerou conseqüências para as relações
de trabalho (contratação e forma de gestão),
o mercado de trabalho e a prestação de serviços
à população, bem como redefiniu a noção
da dimensão social das políticas públicas
e do papel do Estado.
Essa redefinição expressa a opção
feita pelo governo federal de se inserir no movimento de rearticulação
do capitalismo no mundo, que se expressa na globalização
da economia, cujos pilares se assentam na reestruturação
produtiva, reforma do Estado e questionamento aos movimentos sociais.
Sintetizando, mais uma vez foi o servidor a pagar a conta, perdendo
direitos e vivendo sob constante ameaça de demissão.
Há, também, um espécie de pacto entre judiciário
e executivo, que faz com que os servidores tenham que recorrer
freqüentemente à justiça para garantir seus
direitos. Mas, o governo recorre à última instância
e, quando vencido, lança mão dos precatórios.
Nesse cenário, são grandes os desafios para a ação
sindical. Dar continuidade a um projeto de organização
classista, definido no I CONSEF, em 1991, como “um sindicato
democrático, classista, combativo, de massas e organizado
a partir da base. Queremos um sindicato no qual todos os servidores
possam se sentir representados e uma parcela importante na sua
atuação política em defesa dos interesses
da categoria e de toda a classe trabalhadora. Por isso, somos
um sindicato classista. Defendemos intransigentemente os direitos
e interesses dos trabalhadores e buscamos transformar esta sociedade
capitalista que se baseia na exploração e na opressão
da maioria da população por uma minoria de privilegiados
que tomou para si o controle da produção, da economia
e da política nacional. Lutamos para que a classe trabalhadora
conquiste o poder em nosso país e no mundo”.
Defender o serviço público de qualidade, desenvolver
política de organização sindical de base,
formar politicamente a sua categoria, buscar formas de democratizar
a luta sindical são desafios permanentes. Enfrentar os
desmandos governamentais, animar servidores que já perderam
a esperança, reavivar a luta, buscar um mundo melhor com
paixão, continuam sendo atuais para o SINDSEP. Um desafio
para todos os servidores públicos federais no Estado do
Maranhão que, há dez anos, lutam para garantir sua
dignidade e cidadania.
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